Curitibana vence campeonato nacional de sinuca

VINÍCIUS SGARBE, DE CURITIBA – A Curitibana Mariana Carvalho, de 28 anos, é a melhor jogadora de sinuca do Brasil. A prova é que ela ganhou o primeiro lugar no Campeonato Brasileiro de Sinuca, no final do ano passado, lá em Salvador, na Bahia.

Sete cravados

Um de dois mil mais nove anos, sete cravados. Sete trezentos e sessenta e cinco, bissextos com vinte e nove no mês dois. Se fiquei sem escrever desde novembro foi por causa de meia dúzia de preguiças insistentes e atraso no pagamento. A primeira razão sem fuga, a segunda sem dinheiro, quem se importa.
Há o número da perfeição anos compus a Número um. Passo a régua. Sete cravados.

Do site da PUC, notícia da “Mostra Curta 6”

http://www.pucpr.br/noticias.php?noticiaid=4830

Que grande ironia.

Sopa de chuchu 2 premiada

O curta-metragem “Sopa de chuchu 2” venceu três dos seis prêmios da Mostra Curta 6, dos alunos de cinema da PUC. Melhor filme, melhor produção e edição. Entre os jurados, Pedro Merege, Beto Carminatti e Geraldo Pioli, orientação de Celina Alvetti.

O filme revela, sob a perspectiva dos produtores, os símbolos escondidos na primeira versão, sem deixar mastigado. A obra é uma experimentação das lingüagens do cinema, usadas como uma colcha de retalhos.

Nota domingueira

É como se meia dúzia de sentimentos duvidosos tivessem me surgido no mesmo instante e agora eu não soubesse o que me cabe fazer, mas estivesse certo de que todas as obrigações serão cumpridas nos devidos prazos delas. Mas, de qualquer modo, até agora, “je ne regrette rien”.

91% das lombadas eletrônicas não flagram motociclistas em Curitiba

VINÍCIUS SGARBE, DE CURITIBA – As lombadas eletrônicas de Curitiba não são capazes de detectar motociclistas que trafegam acima do limite de velocidade de 40 km/h. Dos 34 equipamentos instalados na cidade, apenas três flagram motos em alta velocidade. A reportagem da BandNews foi até à rua João Bétega, no bairro Fazendinha, e confirmou o problema. No sentido bairro, a lombada estava desligada. O comerciante Carnelino Uler, que tem um depósito em frente à lombada disse que os acidentes com moto na região já causaram mortes.

Na rua João Alencar Guimarães, no bairro Santa Quitéria, nas proximidades da Uniandrade: o mesmo problema. A lombada é decorativa para os motociclistas. Eurídes Yatsu, síndica de um condomínio em frente à lombada e que comporta cerca de 250 veículos deu entrevista.

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Segundo informações da Diretran, as lombadas devem começar a fiscalizar os motoqueiros infratores assim que a Prefeitura realizar uma licitação para a substituição do equipamento. O processo já estaria tramitando. Já os 110 radares fixos instalados na cidade monitoram também os motociclistas.

Pedofilia e assassinatos são investigados no Paraná

VINÍCIUS SGARBE, DE CURITIBA – A Polícia do Paraná prendeu dos homens suspeitos de matar uma menina de oito anos e tem um novo suspeito do assassinato da menina Rachel Genofre, encontrada morta em uma mala na rodoviária de Curitiba.

Suítes da João Dembinski

Desde o feriado da Independência deste ano fiquei ligado à invasão do terreno na esquina da João Dembinski com a Theodoro Locker, no bairro Cidade Industrial, em Curitiba. A placa na esquina do terreno diz Cidade Industrial, mas a imprensa convencionou chamar o lugar de Fazendinha. Coisas da imprensa.

Fui até lá quando ainda eram lotes demarcados com fitas de isolamento e uns figurões que cadastravam os sem-teto. Diga-se que depois da reintegração de posse, há três semanas, nunca mais encontrei essas lideranças. Talvez estivessem com medo, talvez tenham ido para outro lugar. Ou estavam escondidas, o que, no fim das contas, tanto faz.

Por todas essas semanas produzi uma cobertura emocionada, tanto para o noticiário local quanto para o nacional. Não tem coração que resista às tristezas da falta de lar e eu sou sentimental às vezes. O jornalismo não permite devaneios e então recebi recomendações de chefes e companheiros de profissão para que eu aliviasse. Recomendações, não ordens. Os ouvintes ficaram irritados porque coloquei um sem-teto cantando no ar. O cara foi ameaçado pela polícia porque tocava violão, achei que ele merecia provocar. Rafael Porto, que também é radiojornalista, disse que minha matéria foi à moda “voltando para minha terra, do Gugu”.

Defendo a propriedade privada, bem como meu manual editorial. Enquanto os sem-teto estavam na invasão, eram criminosos – mas não se pode deixar de lado a informação de que a área invadida era de preservação ambiental, com mata de Araucária imune ao corte: um terreno de pouca serventia para a dona, uma construtora. Especulação imobiliária. Sem-teto-lenhadores. É mais por aí. Quando eles deixaram de prestar serviço à Varuna Empreendimentos e foram morar na calçada o problema mudou.

400 famílias ficaram na rua. 400 famílias sem-teto para uma fila de quase 60 mil pessoas na Companhia de Habitação de Curitiba. Isso até a Prefeitura pedir a reintegração de posse da calçada. Algo que me soou “devolva o que é seu”.

Fui para lá, mais uma vez, porque haveria uma manifestação às seis da tarde. Só que, desta última, encontrei uma configuração bem diferente de todas as outras. Antes, facilmente os personagens me apareciam: gente séria, trabalhadora, que queria um lugar para morar. Nesta, essas pessoas eram exceções. Um volume de bêbados passava por mim. Contavam vantagem, pediam cigarros, atrapalhavam meu trabalho enquanto o parco grupo dos sérios se dividia entre fechar ou não a rua João Dembinski.

Ao vivo, com Pablo Guerreiro e Patrícia Thomaz ancorando o jornal das sete, entrei com as últimas. Eu dizia “algumas famílias, especialmente as que têm crianças, dizem que vão aceitar sair, contanto que haja vagas para todos no albergue”. Foi quando cinco homens passaram por mim e gritavam “mentiroso”, “vá embora”, e juntavam um grupo muito duvidoso no meu entorno. Desliguei o telefone, perdi o controle e saí gritando “o que foi que vocês disseram?”, com o dedo apontado para os inconseqüentes. E eu, mais inconseqüente do que todos eles ao mesmo tempo.

Houve confusão e os sérios fizeram os caras-de-pau me pedirem desculpa. Foi aí que eu fiquei muito confundido.

Outros sonhos

Gosto de Chico Buarque quando canta “Outros sonhos”, no álbum “Carioca”, de 2006. Ele me faz lembrar um estado intermediário entre a morte e a vida – alguns só chamam de meio acordado, meio dormindo – quando muitos versos ótimos me aparecem e também alguns parágrafos inteiros: eu esqueço tudo quando levanto da cama. Sempre belezas sublimes que se desmancham como neblina em uma dia de sol.
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Nesta madrugada, por exemplo, desperdei às seis e pouco – mas eu só precisava estar em pé às oito da manhã. Revirei na cama pensando em como a vida seria sem graça se ela fosse extamente como é e como seria ótimo se eu pudesse gravar as partes mais sólidas dela com uma câmera. Passou por mim a idéia de que todos os rios correm para um mesmo mar e ele, pela vez dele, corria junto com outros mares para um mesmo oceano. No fim das contas era tudo três partes de água para uma de terra.

Foi tudo de súbito, pelo que me lembro. Mas talvez eu só tenha fantasiado.