Nem Vimeo, nem YouTube. Um enlouqueceu, pela segunda vez, o formato do vídeo e o outro removeu o upload porque era mais longo do que dez minutos.

Vou tentar soluções domésticas, mas só depois que eu acordar.

Separei a tarde para publicar meu portfólio na TV. Experiências mais curtas do que eu desejei, mas "comecei a sacar o lance". Escrevi os textos, fiz uma revisão e gastei o restante do tempo aprendendo a usar algumas ferramentas do YooTools. Não demorei para dominar, o problema, por enquanto, são os sites para publicar vídeos.

Tentei em dois: Vimeo e YouTube. O primeiro limita os uploads a 1 GB - insuficiente para a exibição apropriada de um documentário com pouco mais de dez minutos. E o segundo, mesmo triufante, só dava zica na hora de postar. Depois de comprimir, mesmo a contragosto, consegui colocar um dos arquivos gerados no Vimeo, mas as dimensões ficaram idiotas. O vídeo ficou esmagado, como um monitor na vertical. Neste exato momento envio para os dois serviços.

Para adptar os formatos usei o Adobe Media Encoder CS4, que não foi muito amigável. Experimentei o Fox Video Converter, mas não funcionou.

Aqui está parte do portfólio que pretendo publicar no site. É um plano bastante antigo manter um arquivo com as principais produções e projetos que participei, com o tempo isto deve se fazer. Comecei pelo rádio, onde passei os últimos anos.

Escolhi aleatoriamente, segundo algumas categorias. A minha favorita é, claro, a história do padre e da mula. Ouça e feedback.

Escrevi a crônica “Sete cravados” (perdida em um blog perdido) na pretensão do resumo definitivo. Como se aqueles anos antes dela tivessem sido apenas para seu próprio consumo e assim foi. Exceto pelo verso “não vivi anos contanto dinheiro”, não há nada que seja poético ou que eu considere poético no calhau me ficou. Foram sete anos até chegar às conclusões mais elementares: a de que não sou mais de esquerda, não sou mais poeta e, fatalmente, tornei-me um jornalista por mil e quinhentos.

Fui sempre desavergonhado com meus versinhos, crônicas de fim de semana, contos emocionados, cheios de comiseração e justiça própria. Assim fiquei por causa daqueles anos antes. Achava divertido reportar para meia dúzia os acontecimentos corriqueiros, na esperança de tornar a vida menos fútil. Evidentemente não consegui.

Acordei outro dia e me dei conta de que algo havia restado e que era a escrita, eram as palavras, embora eu considere já ter sido melhor neste manejo. O que veio depois foi só uma espécie de holografia dos meus significados. O cinema, a fotografia, as artes visuais, o trabalho no rádio, derivações de uma mesma razão impressa em diferentes formatos, como máscaras que se aplicam a uma mesma cara. O vinho de Khalil que se bebe em taças diferentes.
Um de dois mil mais nove anos, sete cravados. Sete trezentos e sessenta e cinco, bissextos com vinte e nove no mês dois. Se fiquei sem escrever desde novembro foi por causa de meia dúzia de preguiças insistentes e atraso no pagamento. A primeira razão sem fuga, a segunda sem dinheiro, quem se importa.

Há o número da perfeição anos compus a Número um. Passo a régua. Sete cravados.
Desde o feriado da Independência deste ano fiquei ligado à invasão do terreno na esquina da João Dembinski com a Theodoro Locker, no bairro Cidade Industrial, em Curitiba. A placa na esquina do terreno diz Cidade Industrial, mas a imprensa convencionou chamar o lugar de Fazendinha. Coisas da imprensa.

Fui até lá quando ainda eram lotes demarcados com fitas de isolamento e uns figurões que cadastravam os sem-teto. Diga-se que depois da reintegração de posse, há três semanas, nunca mais encontrei essas lideranças. Talvez estivessem com medo, talvez tenham ido para outro lugar. Ou estavam escondidas, o que, no fim das contas, tanto faz.

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