Escrevi a crônica “Sete cravados” (perdida em um blog perdido) na pretensão do resumo definitivo. Como se aqueles anos antes dela tivessem sido apenas para seu próprio consumo e assim foi. Exceto pelo verso “não vivi anos contanto dinheiro”, não há nada que seja poético ou que eu considere poético no calhau me ficou. Foram sete anos até chegar às conclusões mais elementares: a de que não sou mais de esquerda, não sou mais poeta e, fatalmente, tornei-me um jornalista por mil e quinhentos.

Fui sempre desavergonhado com meus versinhos, crônicas de fim de semana, contos emocionados, cheios de comiseração e justiça própria. Assim fiquei por causa daqueles anos antes. Achava divertido reportar para meia dúzia os acontecimentos corriqueiros, na esperança de tornar a vida menos fútil. Evidentemente não consegui.

Acordei outro dia e me dei conta de que algo havia restado e que era a escrita, eram as palavras, embora eu considere já ter sido melhor neste manejo. O que veio depois foi só uma espécie de holografia dos meus significados. O cinema, a fotografia, as artes visuais, o trabalho no rádio, derivações de uma mesma razão impressa em diferentes formatos, como máscaras que se aplicam a uma mesma cara. O vinho de Khalil que se bebe em taças diferentes.

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