Escrito por Juliana Leithold
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05 Outubro 2009
O fim de semana foi ruim. Não digo que foi péssimo porque podia ter sido bem pior. Começou num sábado pela manhã com o nosso carro derrapando e perdendo o controle numa curva em plena serra do mar e terminou em uma segunda-feira de trabalho perdida devido ao mau tempo e à necessidade da troca dos pneus do carro e dos pivôs da roda que estavam com folga.
No entanto, o domingo também teve seu ponto alto, ou baixo, se preferir. Nada comparado ao ser ver atravessando três pistas da estrada em um semi-círculo, parando no acostamento na direção contrária ao fluxo dos carros, milagrosamente, sem qualquer arranhão. Mas, nem por isso deixou de ser ruim também. O dia começou às 6:15 da manhã, pois a prova da COPEL era às 8:00 no Bairro Tarumã em Curitiba.
O local da prova ficava a uns 20 minutos da casa. Calculamos, meu marido e eu, que com o trânsito lento, levaria uma meia hora para chegar lá. Assim, para ter alguma folga, saímos às 6:50 de casa. O caminho até a BR foi tranqüilo e sem grande movimento, afinal, quem é louco de estar na rua antes das 7:00 da manhã de um domingo? Entretanto, ao chegar à saída da BR que dava acesso à Av. Vitor Ferreira do Amaral, único acesso à UNIBRASIL, local da prova, encontramos um mega congestionamento causado pelos tantos outros candidatos a uma suposta vaga de emprego na Companhia. Suposta porque, nem mesmo foram abertas vagas em diversos cargos, como no meu caso, em que o concurso destinava-se a apenas preenchimento de cadastro de reserva.
Após cerca de 15 minutos gastos para atravessar poucos metros, a aflição foi começando a surgir ao ver várias pessoas correndo pelas calçadas em direção à ao campus. Mas ainda nos restava mais de 10 minutos e já estávamos bem próximos. Como o fluxo continuava lento, resolvemos estacionar o carro a umas três quadras da faculdade e andar até lá, pois faltava apenas uns 5 minutos para o fechamento dos portões, que seria realizado às 7:30. Corremos um pouco e conseguimos entrar no campus antes que os portões fossem fechados.
Aí, de repente, veio a surpresa, as portas de acesso ao bloco em que eu iria realizar as provas já estavam fechadas, com várias pessoas reclamando que aquele era o único que já estava fechado. Olhei para o lado a tempo de ver meu marido entrando no outro bloco para fazer a prova. Depois soube que o bloco dois, onde ele fez a prova, já havia sido fechado também, mas o fiscal, que estava se divertindo às custas do desespero dos candidatos que ficaram de fora, havia esquecido de fechar a porta dos fundos do bloco, por onde vários candidatos entraram.
Segundo os fiscais que estavam no local, as portas de acesso aos blocos é que fechavam às 7:30 e não os portões de acesso ao campus. Neste ponto eu me pergunto: Para que então serve essa meia hora entre o fechamento dos portões e o início da prova? Sempre imaginei que seria para que uma pessoa que desconhece, muitas vezes, o local em que será realizado o concurso se localize, encontre seu bloco e sua sala, pois, como neste caso, as provas foram realizadas em um campus com vários blocos e de tamanho considerável. Mas, após este domingo, cheguei à conclusão que esta meia hora só tem a função de deixar os candidatos ainda mais nervosos enquanto esperam pelo início das provas.
Além disso, um dos princípios de se fechar apenas os portões externos em um determinado horário é não se dar preferência aos candidatos que estão em blocos mais próximos aos portões de entrada, em detrimento àqueles que estão em blocos mais distantes. Mas, definitivamente, isonomia entre os candidatos foi algo que não esteve presente neste concurso.
Após muita confusão, gritos, muitos risinhos sarcásticos dos fiscais com cara de “Quero mais é que vocês se explodam” enquanto eles diziam que a comissão da prova estava avaliando o caso e que nós deveríamos esperar, de eles finalmente dizerem que não iriam abrir a porta para nós entrarmos e nem os portões do campus para nós sairmos (pelo menos não até a próxima hora), de mais confusão, gritos dos candidatos e de uma fiscal histérica, chutes na porta, da entrada da polícia para “conter os ânimos”, de inúmeras tentativas de falar com o coordenador do concurso, de registrar o acontecido no livro ata do concurso (que não existia, como fiquei sabendo depois), de deixarmos os nomes e e-mails para entrar com um posterior recurso coletivo contra o concurso, as pessoas foram se dispersando e finalmente a maioria dos “deixados para fora” se foram e o campus se acalmou, seguindo as provas, lá dentro, adiante.
Enquanto isso, eu tinha apenas que aguardar, pois meu marido estava fazendo a prova e eu, ali fora, sem ter a chance até mesmo de ir para casa pelas próximas duas horas. Terminadas as provas, seguimos o dia, e à noite visitamos uma amiga, sendo que o seu namorado também havia feito o mesmo concurso, porém, para outro cargo. Na sala dele, as provas vieram sem algumas questões. Após algum tempo, os fiscais trouxeram as questões faltantes em folhas avulsas, sem que as mesmas estivessem lacradas, como é de praxe nestes concursos para que se evite que algum candidato seja beneficiado.
No dia seguinte, como estava presa em Curitiba por causa dos problemas do carro e da chuva torrencial (eu moro em Itapema-SC e havia ido à Curitiba principalmente para a realização do concurso), vi no jornal do almoço que em Cascavel e Londrina também houve problemas com os locais de prova e que muita gente ficou de fora, pois o endereço não era o correto ou era ambíguo, havendo mais de uma rua com o mesmo nome na cidade.
Hoje, vi em notícias na internet que em alguns cargos as provas foram trocadas, que não havia controle dos candidatos que iam ao banheiro, que os fiscais não sabiam que as provas eram nomeadas e que os mesmos entregaram as provas sem sequer conferir os documentos dos candidatos e de forma totalmente desorganizada. Então me lembrei que desde a inscrição já houve problemas, sendo que as inscrições tiveram de ser prorrogadas em um dia porque ninguém conseguia fazê-las nos últimos dias devido a um erro no endereço do site da FAE.
Assim, eu penso: Como pode uma instituição como a FAE, que se diz a melhor universidade privada do sul do Brasil e que se acredita ter a melhor faculdade de Administração de Curitiba, realizar um concurso de forma tão desorganizada? Pois, se nem um concurso ela teve condições de administrar, o que se dirá de uma universidade inteira que deveria ensinar os futuros administradores?
Outra questão que permanece, por enquanto, é se esse concurso será cancelado, sendo refeitas as provas, ou se toda esta desorganização ficará impune. Caso o concurso seja válido, devemos pensar qual era, afinal, o seu objetivo, se apenas uma forma de angariar recursos financeiros, ou se era um concurso com “cartas marcadas” onde apenas alguns candidatos estavam bem informados.
No fim, espero que haja reflexão sobre o que houve neste concurso, pois ele era para muitas pessoas a esperança de um emprego bom e estável em um tempo em que está cada vez mais difícil se ter estabilidade em qualquer área de nossas vidas.