Escrito por Vinícius Sgarbe
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14 Janeiro 2008
Havia panelas e um pedaço de espírito de porco no fogo quando me sobreveio que minhas vísceras não correspondem ao resto do que me forma. O cheiro de gordura e açafrão impregnou em minha inspiração e a confundiu, mudando a fôrma, mudando o espírito regular de porco no fogo pela aflição da vala temporal.
Ao mundo os relógios batem horas regulares, ao passo que aos poetas infinitos cronômetros marcam estações completas em frações de segundo: mil voltas em uma volta de um a doze, milhões de voltas sem chegar ao fim.
A paisagem urbana, carros, motociclistas atrasados, flores desabrochando solitárias no Passeio Público, mães recém-nascidas chorando a viuvez dos lares, quinze minutos para as quinze horas de XV de Novembro, casa passo, cada espaço, cada laço de fita no cabelo, cada um em si mesmo, com horas regulares, e os poetas comendo cinco vidas no palito.
Aparecem-me de surpresa quinze caminhos distinto, cruzados em um ponto e seguindo eternamente em posições concorrentes. Fruto do bem, fruto do mal, duas árvores no Éden. Unidunitê, blablablá, mas como eu sou teimoso.