Número um

Muito frio. Percebi enquanto conversava com meu pai e saía fumacinha da boca. Já que tem esse frio todo poderia nevar de uma vez. Pelo menos é mais elegante, New York, Paris. Todo mundo vestido, sobretudo cachecóis e toucas. Também aqueles mais extravagantes, é claro, e estes ainda servem para me fazer rir com a turma do Cefet.

A culpa, sabe, dos mais chumbregas, são as lojas que vendem roupa importada. E eu até gosto daquilo. Tem coisas sem sal, sem açúcar, sem corte, cor, estilo, mas tem roupas que servem para vestir. Uma vez eu vi uma roupa de esquiar e fiquei com vontade de comprar. Na minha escola tem uma rampa e, de repente, eu podia descer ela de trenó.

O frio é bom para comer também. Na estação no nariz assado, escorrendo, é bom ir para Morretes comer barreado, tomando cuidado para não deixar pingar o fluído da coriza no prato. O problema é comer de noite. Daí você levanta de madrugada para tomar água da pia do banheiro com a mão e tem insônia porque parece que comeu cimento.

Fuck-fuck também é melhor no inverno. E ficar abraçadinho numa segunda-feira chuvosa também é bom, mas na falta de companhia dá pra abraçar o animal de estimação, cachorro, gato, coelho, vaca. Sem apologia à bestialidade. Isso só pode a Cicciolina e o potro.

Publicado por

Sgarbe

Jornalista, produtor de mídia, fã de arte.

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