Reforma o caralho

Reformas são podres. E mesmo em meio a uma, consigo manter a paciência, juro. Mas tem pó pela casa, e uma casa com paredes derrubadas, outras erguidas. Ontem recebi uma visita muito especial e disse para ela que era um estilo de arquitetura muito moderna, quase incompreensível. Ela riu por dentro, eu sei.

Tolero até mesmo as conversas dos pedreiros. Ah, esses pedreiros. Precisa ver como eles entendem de tudo. De política e de medicina, de engenharia e vinhos. Tem um deles que já se candidatou para o cargo de vereador da minha cidade (San Joseph of Pine Trees, Paraná).

Outro dia eu fui acordado pelo ruído da betoneira na janela do meu quarto. Eu entendo, é necessário. Há males que vêm para bem. Há males que vem para o mal mesmo. A bugiganga parou, começou a rica conversa operária. Muitas pérolas. E falam de assuntos diferentes ao mesmo tempo.

O que me incomoda mais são as bateções. Eles batem demais. Estão sempre com uma marreta na mão dispostos a quebrar tudo. Mas teve uma cena que eu vi que foi horrível. De apavorar mesmo. Eles já estavam há horas batendo com as marretas numa parede ao lado do meu quarto. Eu vi de longe e decidi me aproximar. Mas vocês não vão acreditar, melhor parar por aqui.

Publicado por

Sgarbe

Jornalista, produtor de mídia, fã de arte.

One thought on “Reforma o caralho”

  1. Aqui em casa está a mesma coisa. A diferença é que saio antes da chegadas deles, e chego depois que já saíram. E mesmo assim, noto a presença da bugiganga e a bagunça, agora, aparentemente desorganizada.

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