Sem paciência

A contar pelos argumentos recentes do presidente – nos quais se ele se faz o próprio oprimido da pedagogia – e do rarefeito eleitorado dele que se habitou às “dobras de aposta”, propõe-se explicitamente que o país viva um exercício de caridade, e não exatamente a condição cidadã.

“Mas ele acabou de entrar” é uma frase ofensiva, especialmente quando falada ou escrita por pessoas que não sabem esperar em uma saída de supermercado.

Não existe absolutamente nada a esperar. O Planalto tem de se comportar como topo político nacional. Não foram os votos da direta ou da esquerda – nessa confusão intelectual, social e política -, mas o Brasil quem elegeu Bolsonaro. Foram as estruturas de poder, foi a democracia representativa. Ele não tem obrigações maiores com o PSL, ou os próprios partidários, maior do que tem com a República.

Bolsonaro está no poder, gozando da Presidência. Nós demos isso a ele.

Que não nos peça agora, além disso, qualquer paciência.

Editado pelo jornalista Aroldo Murá e publicado originalmente no site dele.

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