Hilux ingrata

Os patinetes são a ponta de uma discussão sobre o uso da cidade, do mundo. Por alguma razão desconhecida, alguns motoristas acreditaram que a rua é dos carros, por exemplo. Esses não gostam de motos, que dirá bicicletas ou patinetes. Moro em frente a um mercado e o portão do estacionamento é também um tipo de túnel do julgamento. Escrevo essa bobagem fundamentado no permanente buzinaço a favor do dono da Hilux e seus pares. Há um esforço para que o dono na Hilux seja notado e temido, aqui no bairro.

Saí a pé para o trabalho, carregado até à hérnia inguinal de equipamentos para filmagem, quando ouvi o pânico da caminhonete em frente ao mercado. O veículo reluzia feito Lúcifer, novinho, com plásticos nos bancos. E o dono enfurecido por ter de esperar por uma manobra irrelevante. Queria passar agora. Por cima de qualquer um.

Depois de buzinar feito um píssico, saiu cantando pneu. E eu pensei que sujeito ingrato.

Editado pelo jornalista Aroldo Murá e publicado originalmente no site dele.

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