Sangue na mesa

Na Região de Curitiba, um homem que se recusou a usar máscara no mercado socou um segurança. Este deu dois tiros e uma funcionária jovem morreu. O fato, gravado em vídeo, serve, além de insumo para a polícia, de metáfora sobre a pandemia de cegueira que temos aqui.

Ontem à noite, conversei com um homem sereno e frequentemente sábio sobre o grau de esquizofrenia residual que palpito sobre o presidente. Ouvi sobre “os filhos do Lula”. Pior. Que se a eleição fosse hoje, votaria em Bolsonaro. Pior. Que não há ninguém melhor que ele.

Embora meu amigo esteja persuadido a acreditar em um Legislativo que trabalha para atrapalhar as ações do governo, nem mesmo as mais ilustres imbecilidades foram suficientes para começar a contagem de quantos dos 514 depurados e 81 senadores encaram um impeachment.

Voltando ao mercado, sinto que o negacionista não tenha tido na própria casa ou nos círculos próximos condições de repensar o enquadramento que escolheu. Nesta cidade, não se envolver, não dizer, não militar, serve de autoproteção, especialmente às famílias tradicionais ou ricas.

E, ainda no mercado, quem pagou com a vida foi uma assalariada, na tentativa de pacificar os radicais. A conta do inquérito, do noticiário, uma pessoa foi assassinada. E na conta da terra, tem sangue inocente nutrindo o alimento que vamos comer hoje.

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