Chegou a hora de prantear os mortos

Nas próximas horas, chegaremos à marca de 20 mil mortos pela Covid-19 no Brasil. Nesta amanhã, a primeira mensagem que li no celular tinha um gráfico cuja linha ascendente não demonstra qualquer arrependimento. Vai para cima impune, sem saber o nome de ninguém, a profissão, se tinha filhos, se preferia gato ou cachorro, se gostava de comer a bundinha quente do pão saído do forno.

Estamos sendo liquidados. Como não ficar triste com uma coisa dessas? O cânone brasileiro guarda consigo um paradoxo. Nossas famílias, com poucas excessões, são de origem monoteísta – muçulmanos, judeus, cristãos – e sabemos como são os enterros. Sofridos que a gente morre um pedaço. O paradoxo é que sobre os mortos pelo coronavírus o pranto dá lugar a uma agitação que não parece com a gente.

Na agitação, postamos qualquer coisa sem parar, achamos que nosso entendimento político é suficiente, e que dá para regrar o país pela nossa cabeça. Falo principalmente por mim. Mas ninguém sabe com certeza para onde está indo. O Paraná é o quarto pior estado em isolamento social. E o quinto pior em testes. E basta ligar a TV para encarar a propaganda do governo que quer o segundo mandato. Está doendo aqui dentro!

Ninguém é fundamentalmente mau, e os governos e poderes são feitos de muitas pessoas, não de uma. A esperança de que a pandemia vai nos transformar em pessoas melhores não pode morrer pela doença ególatra.

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