Dialética Tabajara

De tanto repetirem que a democracia brasileira é jovem, no sentido de imatura ou imprevisível, botei fé em uma versão feia sobre nós. Mas, em uma observação otimista, vejo o quanto gostamos de participar dos assuntos políticos. Mesmo sem saber nada, sai vestindo camiseta, levantando bandeira, digitando horrores sem parar.

A gente acredita que o noticiário concorda, porque a manchete é exatamente o que pensamos – mesmo que seja uma notícia velha de março ou uma imprecisão maliciosa do Olavo de Carvalho: “Acho que ela foi presidente da CPI”. Pronto. Ela é a presidente da CPI.

Nós nos apropriamos de uma dialética Tabajara para elucidar o país, e estamos pensando com os recursos que temos. Lembro do Tenente Costa me dizendo, quando eu tinha 16 anos: “Os militares não querem nem saber de tomar o poder. É muita dor de cabeça”.

No que estar sob o medo cego de uma ditadura difere da caça aos “comunistas”. Eu estou rouco de explicar o que a queda do Muro de Berlim significa para o mundo, mas é o mesmo que nada. As explicações razoáveis não tem espaço competindo com os benefícios do chá de picão para a cura do câncer.

Comunicólogos, uni-vos! É preciso pensar em um jeito de manter o joio e o trigo crescendo juntos. Só depois, sabemos.

Foto: Volodymyr Hryshchenko/Unsplash.

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