Aos curitibanos, com pesar

Cresci com a Família Folha me ensinando a separar o lixo. Tenho fotos no parquinho da Praça Osório, e sob a luz roxa dos gomos do Bondinho. Achei lindos os parque Tingui e Tanguá, com a arquitetura gigantista de museu de arte moderna.

Tinha cidade para me deixar aqui. Fiz estágios de produção ao vivo da Suécia, Noruega, Dinamarca. Pude estudar e trabalhar em qualquer lugar. Eu quis aqui. Eu sou mais o Poty, o Dalton, o Tezza. Gostava de passear nas calçadas vomitadas por Leminski.

Descoloriu. Curitiba descoloriu. Não é mais minha, não tem nada meu. Quando mobilizações de professores são recebidas com bala de borracha e gás, e meia dúzia de donos de academia revertem uma política pública de contenção de pandemia, eu sinto vergonha. Eu sinto desprezo.

Esta cidade foi comparada às grandes do mundo. Foi construída a partir do amor à vida, tal qual na biografia de Ouvidor Pardinho. Tem nomes que agora vomitariam na calçada da prefeitura tal qual Leminski. Calamidade!

Foto: http://latitude2525s.blogspot.com.

4 respostas em “Aos curitibanos, com pesar”

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