O caso dos repórteres que chupavam informações

“Lamento o estado pútrido a que chegaram nossos jornais, bem como a malignidade, a vulgaridade e a hipocrisia daqueles que para eles escrevem”.

—Thomas Jefferson, 1787

Amigo de velha data, e outros novos de interações de Twitter, reclamaram-me há poucas horas da ausência de jornalistas conservadores. Mais que isso, da coibição que redatores dessa vertente sofrem, a exemplo de uma recém demitida do jornal The New York Times. “É uma disputa por narrativa, da esquerda e da direita. Só que a da direita é chamada de fakenews“, disse a mim.

Sobre a experiência de reportar, lembro do poeta e diplomata Vinicius de Moraes: “Não devo usá-la em seu mistério: a hora é de esclarecimento. Nem debruçar-me sobre mim quando a meu lado. Há fome e mentira”.

Há mais ou menos 12 anos, saí da redação da BandNews FM e desci no Torto Bar, sentando-me na sarjeta, ao lado de sacos de lixo. Liguei, com o celular da rádio, para Heliberton Cesca e o convidei. “Venha para nosso lugar”. Ali, a gente rememorava os ventos das portas batidas em nossas caras todos os dias.

Bolsonaro, Sérgio Moro, Operação Lava Jato são uma réplica latina do que houve na Itália. O dia do Vaffanculo, porém, não houve nas redações. Autocrítica é (só) o que PT não fez.

Ninguém me elegeu ouvidor, nem precisa. Mas os plantões em frente à Superintendência da Polícia Federal nos levavam à exaustão física, até que alguém nos surpreendia tendo chupado informações privilegiadas de alguma autoridade. Primeiro, que os repórteres da Lava Jato foram convencidos de que suas carreiras tinham alcançado a grandeza de suas submissões. Depois, que, entre comunicadores e assistentes técnicos, a crítica foi enganada como sendo um tipo de inveja.

Quantas vezes assisti a repórteres incapazes, comentei em voz alta, e fui interceptado por “você queria trabalhar no lugar dele?”. Não. Eu quero que ele não seja chamado de jornalista. Que vá escrever para influencers.

É claro que o prazer da carícia fria de ser ofendido por Roberto Requião é diametralmente oposto a de ser ofendido por Bolsonaro. De qualquer modo, o pessoal se doeu mais do que deveria, colocando o noticiário como notícia, diariamente. E se chega à conclusão de que o comportamento do presidente é um afago nos egos inflados de alguns brasileiros, quando não dos verdadeiros invejosos.

Foto: Dan Cook/Unsplash.

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