Oito pessoas mortas na BR, há muitos anos

Oito pessoas morreram na BR-277, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, há muitos anos. Uma das vítimas estava grávida. Eram, se não me engano, da mesma família. Por essas razões, uma cruz se fixou no cruzamento da rodovia com a Avenida Rui Barbosa.

Agora são oito, de novo. Amanhã, quem sabe o número.

“Jesus, amado! Morreu um monte de gente aqui. Ô, meu Pai do céu! Meu Deus do céu, me ajude! Eu estava terminando minha oração para sair viajar. Eu fui passando em cima de tudo, meu Deus do céu. Gente, eu estou aqui na 277, uma neblina. Eu acho que matei um monte de pessoas. Meu Deus do céu, atropelei. Tinha um trânsito parado, um nevoeiro, não dava para ver nada, meu Pai amado. Me ajude, o que eu faço agora? Preciso de ajuda, cara. Não sei o que eu faço”.

— Cláudio Alexandre Seroiska

O território dos capotamentos, batidas e atropelamentos é conhecido nacionalmente pela neblina. Ou não se sabe que o Aeroporto Internacional Afonso Pena frequentemente é fechado?

Outra dúvida: se um avião – com os equipamentos avançados de navegação – não pode pousar ou decolar, por que a rodovia fica aberta indiscriminadamente?

O acidente do primeiro parágrafo foi causado porque passageiros eram transportados na caçamba de uma caminhonete. A legislação avança quando exige o uso do cinto de segurança, logo, impossibilita que pessoas viajem como carga.

Quanto à tragédia – e finalmente o noticiário nomeia corretamente um acontecimento! – do último domingo (2), há responsabilidade compartilhada do Estado e da concessionária. Primeiro, que a Assembleia Legislativa deveria ter escrito bem especificamente sobre estudos de impacto. Depois, é papel do Tribunal de Contas do Paraná fiscalizar o contrato, e achar o melhor jeito de recontratar.

A queimada é um bode expiatório, porque a condição climática deve ser resolvida emergencialmente pelo menos desde anos 90, a partir dos quais tenho memórias de contexto.

O doutor em engenharia de transportes e professor adjunto da Universidade Federal do Paraná Jorge Tiago Bastos diz que é preciso lidar com a BR a partir de onde ela está instalada. No trecho que é assunto deste texto, há residências, comércios, vida rotineira.

Sem contar que no caminho a Foz do Iguaçu há trechos de pista simples. Eu mesmo, na companhia da jornalista Cassiana Pizaia, precisei desviar pelo acostamento, para que um carro que vinha na contramão não nos atingisse de frente.

Foto: Tony Mattoso/RPC.

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