Um brinde ao meu pai

Hoje é Dia dos Pais e vem toda essa discussão sobre a data comercial, a ausência parental em certidões de nascimento, por que não se a gente deixa o velho morrer de solidão em vez de coronavírus. Francamente, claro, para quem tem mais de, sei lá, 18 anos, tem de olhar para os pais com respeito aos ancestrais e, ao mesmo tempo, de igual para igual. Como viver as duas coisas simultaneamente é uma excitante descoberta particular.

Quanto a mim, de novo, quanto a mim, tenho em meu pai a estufa, o aquário, a corte a portas fechadas. A ele falo idiotamente sem nenhuma preocupação. Nele reside o amor completo. Esse senhor fez o trabalho dele quando me ensinou a comer manga e a não ter vergonha do meu corpo, e pagou a escola. Agora, meu filho, o pai quer sossego. O pai quer ver o fruto do penoso trabalho dele convertido em uma garrafa de bebida decente.

Nós, meninos, na minha experiência pelo menos, temos mais habilidade que as meninas quando se trata de ser Hidiota (muito embora a invenção do “Hidiota com H maiúsculo” seja de Ana Bellenzier). Tem disso. Homens saudáveis se ridicularizam sem medo de perder o rebolado. Eu, hein.

Meu primo Sérgio Sgoda e eu, pilotando sem capacete, no estágio com Vô Quinho. Álbum de família.

E nada que, no jeitinho, não vire uma vez ou outra adiantamento de herança. Como, por exemplo, a liberação para o reinado, a vingança e a sabedoria. Obrigado, pai!

Foto: Sirvo cerveja ao meu avô Ildefonso Sgarbe, Vô Quinho. Álbum de família.

Uma resposta em “Um brinde ao meu pai”

Uma tocante postagem, de singela doçura que reflete na Terra a beleza das relações entre os astros, a criação do universo, o surgimento do vida, matéria e tempo.

Com amor,
Plínio Sensível

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