A troca que fizemos

Segundo pesquisa Datafolha, 37% dos brasileiros consideram o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) ótimo ou bom. Em junho, eram 32%. No mesmo período, a rejeição caiu de 44% para 34%. Não lamento nenhum número, ainda. E quando escrevo sobre lamento, faço referência à preocupação de muitos amigos ou conhecidos quanto a uma aprovação irrestrita, logo, perigosa.

“Verdade, meia verdade ou fake news? Bom dia a todos”.

— Jair Bolsonaro, presidente da República

Da parte de alguns jornalistas de política, e estou incluído nessa categoria, argumenta-se que o jeito de criticar Bolsonaro valeu também com com os presidentes anteriores e valerá com os próximos. Passa muito longe de torcer contra, embora, às vezes, dê vontade.

Na matéria da Folha de S. Paulo: “A mudança do humor da população ocorreu concomitantemente à maior alteração na persona pública de Bolsonaro desde que ele saiu da obscuridade como parlamentar de baixo clero e chegou à Presidência no ano passado.”

‘O BRASILEIRO É ASSIM’

Duas vezes ouvi que “o brasileiro é assim” como explicação para as ultratrapalhadas de Jair Bolsonaro. A ideia do homem simples de calça de tactel e chinelos, colou pelo primeiro ano e meio de mandato, pelo menos entre os afins.

Quando deputado federal, Bolsonaro xingou colega.

As instituições, a grosso modo, são complacentes com ofensas que você ou eu deixaríamos escapar. “Se o presidente a chamou de vagabunda foi porque respondeu a algo”. Nesse gabarito entra quase tudo.

O que o presidente percebeu – a tempo – é que nem só de tweets vive a “nação”, mas de todo pensar antes de falar. E, nesse caso, geralmente, parar por aí mesmo. Ficar quietinho pra não ser provocado a, meu Deus, chamar alguém de Paulo Guedes.

Foto: Mauro Pimentel/AFP.

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