Escrevo às claras, porque este é meu dia do ano para ser sincerão. Assisti a uma reportagem da RecordTV e quero explicar tim-tim-por-tim-tim o que quer dizer “repertório do jornalista”.

Saibam que moro sozinho, com a frequente pernoite de meus pais amorosos. São gente de excelente estirpe, mas o tronco parece um partido do centrão (de B17 a Lula Livre, de conservadores a cerimônias religiosas fora do templo).

Aconteceu que meu pai tem gosto pela RecordTV.

O repórter passa pelos cômodos da casa, a câmera o acompanha, enquanto descreve o que pode ser:

  1. Laudo pericial;
  2. Filme de violência explícita contra a mulher;
  3. Jornalismo de segunda mão. 

Laudo policial é o estilo adotado por repórteres que têm gosto por delegacias, boates sertanejas, inclinação ao álcool jogado fora, uma vida perdida por um amor que usa calça de marcar a xereca. Essa impressão fica garantida, com pouco talento. 

Quanto ao filme de violência, o texto da reportagem é sobre uma mulher em quatro apoios, arrastada pelos cabelos por dois homens, entre corredores de uma casa ampla e limpa. Um burlesco no horário nobre. XJornalismo.

Pelo histórico de atleta da emissora, a maior probabilidade é de que se trate de mero descuido com a técnica de usar livros ou filmes de cinema na formação da equipe.