Levei dias para entender o texto no qual a filósofa da Teoria Crítica Nancy Fraser escreve sobre a participação feminina na esfera pública. Um dos textos, claro. Resumidamente, não ser pode ser mais discriminado por ser mulher do que por ser pobre. Mulher pobre, então, Deus há de cuidar. Esse é o feminismo americano.

A gente (eu) sai por aí dizendo da importância do desenvolvimento dos repórteres e apresentadores em relação a esses temas, o que pode humilhar comunidades estigmatizadas (chamar pobre de “Seu Fulano” ou “Dona Sicrana”, tenho lá minhas dúvidas), mas e como que faz pra “dar voz” (outra coisa que não passa bem)?

Produzindo um programa apresentado por duas mulheres, fiquei mais nervoso, no sentido de atento, responsável, porque o assunto era – justamente – paridade participativa. Como é que eu – ah, o produtor do Brasil! O homem que entende todas as causas! Tão querido por minha mãe – tenho a coragem de falar sobre participação feminina para duas mulheres? Não tenho, né.

Um homem vai falar o quê? “Vocês, mulheres, têm de desafiar mais os homem acima de vocês”. Quer dizer. A melhor resposta que uma mulher pode dar diretamente é “Você, Sgarbe, tem que deixar de ser babaca”. Isso é minha visão de homem sobre o que uma mulher deveria dizer pra mim e que seria o melhor para ela (Oh, Christ).

Foto: Glen Carrie/Unsplash.