Desde a segunda metade do século 20 há fortes indícios que de a imprensa é responsável em grande parte pela formação – a grosso modo – do que chamamos “opinião pública”. Verificou-se em uma variedade de pesquisas que tem mais a ver com “sobre o que pensar” do que “como pensar sobre”. Chegamos às eleições de 2020 com perguntas, dentro do espectro do agendasetting.

A apatia do eleitor é intrigante. Que disputas intrapartidárias sejam relevantes somente para quem delas goza, seja por vitória, barganha ou intimidação, é ponto pacífico. Dos centros acadêmicos aos corredores do Anexo II em Brasília, os assuntos são bastante restritivos. Defendo que, ainda que o bem comum seja um interesse da comunicação política, há arestas estereotípicas que precedem a elaboração de um discurso público.

Minha curiosidade é: quanto das necessidades individuais (justamente as “estereotípicas”, que são o oposto de “arquetípicas”) valem no noticiário. Talvez tenhamos nos esforçado em criar cenários em volta de fatos comprováveis, a qualquer custo. A disputa do que é científico e verificável contra o que é mentira esgotou a paciência do leitor? Havia outra forma de fazer?

No Paraná, com o cancelamento do debate da TV Globo, temos o risco de ficar exclusivamente com as versões maquiadas dos candidatos, sujeitos aos danos do marketing político inescrupuloso.

Foto: Utsav Srestha.