Volto a escrever sobre o desinteresse geral do eleitor, e reforço dois elementos que podem ser observados com alguma atenção. O primeiro é a recorrente volta ao simples, e o segundo é a afetividade que tem a ver com todo processo comunicacional. “Perceber a validez relativa das suas convicções e, no entanto, defendê-las resolutantemente é o que distingue o homem civilizado do bárbaro”, anota Schumpeter.

As campanhas para prefeituras e câmaras municipais estão longe de parecer campanhas como as concebíamos. Tem a internet, previa-se o protagonismo, e tem a pandemia. Nesse cenário, a simplicidade é espaço para a graça e para o estímulo.

SIMPLIFICAR O TEXTO

Informações complexas devem ser contempladas em planos de governo e em entrevistas, porque o “como fazer” é parte do exercício do cargo e a habilidade deve ser demonstrada antes da posse. Porém, questões orçamentárias, por exemplo, convencem prestigiados formadores de opinião que são capazes de dialogar essas informações e não mais que isso.

“E na prática, como se faz?”. Mas não é na prática de gabinete, é na prática da vida pública – que integra o que somos o tempo todo. A vida pública é a passagem pela portaria, a maneira como nos posicionamos mediante um comentário preconceituoso, ou a validade de nossa preocupação com quem divide cidade com a gente.

Nós – jornalistas, publicitários, treinadores, que somos um tipo de equipe parapolítica, porque técnicos e não figuras de liderança governamental – enrijecemos os primeiros nós da rede que se planeja fomentar para um grupo maior, qual seja a cidade toda. “Além disso, não creio em insinceridade na luta social, pois as pessoas sempre acabam pensando o que querem pensar e o que professam incessantemente”, ainda com Schumpeter.

SER O DIZEMOS SER

Quando vamos às ruas com um candidato, temos de entender que a remuneração que recebemos é proveniente do estado, e que se faz um trabalho público. E que, dentro de todas as disposições estratégicas e – por que não ferir Habermas ao escrever “mercadológicas” – há de se observar o outro como ensinável e apto ao voto.

A simplicidade está em se colocar junto ao outro, ao lado de, nem maior, nem menor. Dizer que sim, que não, que concorda ou pouco se importa. Mas introjetar a ideia de comunidade ao ponto de realmente nos confundirmos com cada bairro visitado.

Ontem perguntamos a um morador de rua: “por que você não volta para sua cidade?”. Ele encheu os olhos de lágrimas, e nos contou o porquê. Quando estamos ao lado, temos as falas sonhadas para nosso material de vídeo. Quando estamos ao lado.

Foto: McGill Library/Unsplash.