Pessegueiro do campo morre ao ser atingido por raio

Jorge dá aula de botânica básica.

No terreiro das galinhas, encontro Jorge vestido para a roça. Ele desfere golpes com o facão, contra os pés de guanxuma que serviriam para a saúde do cabelo quando não amontoados no papel de praga que vale mato seco.

Finalidades adjacentes tendem a viver pouco no mato. Se quer guanxumas para usar no cabelo, que as plante e cuide delas. Agora, aqui, no terreiro das galinhas, daninhas, crescidas a partir de caules com um dedo de calibre, teimosas ao arrancar, não.

A seca mata árvores em Campo Largo da Roseira. Os troncos e galhos maiores vão primeiro para o chão, depois para a pilha a ser cortada, e, finalmente, encontram o cepo. Finalmente, porque dali em diante o destino é o fogo que sequer é eterno. É um foguinho de fogão que uma criança da cidade opera como atividade recreativa. De árvore que muda o mundo a brinquedo esdrúxulo. É preciso, meu Deus, cuidar da natureza.

E quando a chuva vem nervosa. Um raio parte ao meio o pé das ivaís, Eugenia myrcianthes, gostosas no paladar das éguas. O pessegueiro do mato tem folhas e margens do limbo inteiras, filotaxia oposta. As frutinhas são amarelinhas como araçá.

Quando morre, os galhos ficam em cima das outras árvores por um tempo, mas, cansadas do desaforo, largaram o serviço.

Jorge.

Os sons da manhã de sábado são parecidos com os de qualquer outra hora ou dia, exceto pelo estrondo das roçadeiras a gasolina. Há um grande acúmulo de maquinário ruidoso na paz do campo. O que um pressurizador de água ou um aspirador de pó são na cidade as roçadeiras são no Campo. Sinfônicos cantam os pássaros, os cachorros, as folhas e os sinos de gado.

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