A profunda trama WandaVision vai além dos efeitos gráficos

Wanda e Vision. Arte: Disney+.

O seriado WandaVision me pegou de surpresa positivamente. Isso que tenho contra os filmes de herói (coisa de conservador), porque me exigem ter um conhecimento que não tenho sobre as personagens e por frequentemente aderirem ao lobby da epilepsia, com flashes luminosos e efeitos sonoros retumbantes.

Gostei da entrega semanal, o que me faz esperar pelo próximo episódio, contra a tendência do maratone indefinidamente. Toda sexta sai um novo no Disney+. Essa quebra de padrão me faz prestar mais atenção na trama.

Resumidamente, um mundo é criado por Wanda, com base nas experiências dela criança. Tudo está em função da criadora, ela vive na fantasia das próprias vivência e crenças. Ora, a provocação é que o indivíduo não-herói faz a mesma coisa, ou não?

Ou mais. Ela é estimulada a desfazer a ficção que vive porque afeta não somente a própria vida mas as de quem está próximo dela. Chega a ser doído pensar nisso, ou não?

Uma das emoções que a televisão pode provocar é o choro. Chorei abundantemente, molhadamente, silenciosamente, ao assistir Monica Rambeau (Teyonah Parris) atravessar uma tigela magnética e se desfazer em inúmeras dela mesma, uma metáfora visual que me aproxima da realidade dos Estados do Ego, dentre outras percepções da quantidade de tempos dentro de uma única pessoa.

WandaVision me traz um olhar sobre o Universo Marvel que nenhuma outra obra tinha tido sucesso de trazer. Arte que é, caminha pelo sombrio, pelo luto, pela despedida.

Revisado por Ágata Soares, linguista.

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