Aroldo Murá: ‘espiritualidade é questão superior à religião’

Retrato do jornalista Aroldo Murá. Curitiba, 2021. Foto: Vinícius Sgarbe.
Jornalista Aroldo Murá. Curitiba, 2021. Foto: Vinícius Sgarbe.

“Gostei da pontualidade”, disse o jornalista Aroldo Murá, assim que pisei no apartamento um por andar dele na Sete de Setembro. Falamos sobre todos os assuntos que importam, mas também sobre Freud e política.

Ele preside o Instituto Ciência e Fé e é vice-presidente do Centro de Educação João Paulo II fundado por Belmiro Valverde em Piraquara. Entende que “espiritualidade é uma questão superior à religião”. Nesse sentido, desconfiamos que o filósofo Vilém Flusser possa ter alguma razão quando chama de “espíritos” coisas que a física não estudou, e que o autor checo é na verdade de um sudeto alemão.

Mas Murá precisa melhorar o latim, já que às vezes erra na hora de escrever.

Discutimos a questão do cânone bíblico, porque São Tiago embora tenha conquistado alguma posição na igreja de Jerusalém enfrenta resistência pela defesa que faz da fé manifestada em obras. Sem contar que a rispidez étnica do Velho Testamento está a cada dia mais flagrante.

Não chegamos a conclusão nenhuma sobre as atribuições do Magistério e da fé popular católicos, porque no fundo o que vale é a retidão de propósito. Mas em nossas falas apareceram elogios ao jeito inteligente e descolado de alguns professores de filosofia, especialmente aos que ensinam ética (Racca, Guilherme… vocês andam fazendo estrago — risos).

Evidentemente saí de lá com coisas para fazer. O homem que deu o primeiro emprego a Gladimir Nascimento é um criador compulsivo, um artista, e nos arrasta para a expressão. Saí com livros debaixo do braço, e tenho entregas para esta tarde.

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