Contra Freud eurocêntrico e coaches, amar é saudável

Gosto mais da expressão “at the end of the day” em inglês do que “no fim das contas” em português. Quando o cansaço do dia bate daquele jeito, quando prefiro que o mundo termine em barranco, pergunto “at the end of the day”, o que Mariazinha leva?

Meu trabalho permite que eu conheça, intermedie e até interfira em pontos de vista irregulares. Praticamente eu moro em um caleidoscópio. Uma pedra grande agora amanhã nem se vê. E às vezes aquela coisinha insignificante se torna a cor predominante da paisagem.

Embora a solitude, e que nome bonito para uma coisa tão complicada para mim, tenha prestígio na espiritualidade e no mundo da vida, nela enfrento minha obsessão por compartilhar os movimentos das pedrinhas. Não é um reclamação, mas é. No fundo, aporrinho minhas almas gêmeas.

É difícil olhar para mim ou para qualquer outra pessoa transparente sem a impressão de que estamos a um passo do cataclismo pessoal e do todo. O mundo não está melhorando, e contar as pontinhas agudas pode ferir peles mais moles ou cutucar os calos na bunda da alma do pessoal.

Embora eu seja bom receptor dos escritos de Freud, “quando é a minha vez de responder, doutor?”. Ontem, fui provocado a não comer com farinha a visão eurocêntrica da psicanálise de Viena. E não como. Discordo diametralmente da divisão nós-normais, eles-neuróticos-psicóticos.

É urgente, a meu ver, que olhemos para o todo, com um pouco mais de distância – cultural, espacial, temporal -, para que o “patológico” tenha mais a ver com pessoas que comem os próprios cabelos do que com quem tem vontade de amar e ser amado. E me refiro a muita gente saudável.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *