Filosofia contemporânea: o que gente real escreve sobre o real

Ilustração qualquer.
Ilustração qualquer. A capa ainda é segredo nosso.

Em via de ser publicado, o livro Filosofia, Psicanálise & Contemporaneidade (vol. II) é uma leitura que tende a surpreender os que se habituaram a certa pasteurização cultural. E nos referimos diretamente a uma tendência de simplificação que chega a ser comovente, de tão banal. Mas, no nosso livro, não!

Nós, pesquisadores da linha Filosofia da Psicanálise da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), escrevemos ensaios com análises, interpretações, tensionamento de teorias prestigiadas, e oferecemos (com excessão do texto do Sgarbe, do meu próprio) uma experiência literária deliciosa.

A seguir, alguns trechos do que está por vir.

‘Desviados’ da igreja

A começar pelo trabalho do pesquisador Jeferson Costa. Ele é a força propulsora do livro. É quem não somente teve a ideia da publicação como também é a peça que liga os autores. Quanto ao uso filosófico da palavra “libertinus”, ele explica, “partimos da hipótese de que este sentido libertário se conservou, ao menos no interior dos contextos que abordaremos no escopo deste trabalho”.

Spoiler:

Libertinus é uma palavra de origem latina que indicava a condição de uma pessoa alforriada, ou seja, de alguém que trabalhou forçadamente para outra pessoa. Libertinus era uma categoria, sendo assim, que fazia referência às pessoas que se tornavam livres depois de terem sido escravizadas ou servilizadas por pessoas consideradas livres por nascimento. A categoria utilizada para indicar tais pessoas livres por nascimento era ‘Ingenuus’. Portanto, a categoria libertinus passou a definir a ação que visava metaforicamente a quebra das correntes ou a resistência às normas. Era assim que cristãos regrados definiam os desviados. Trata-se de um combate à ingenuidade, tanto em sentido lato como em sentido corrente.

Jeferson Costa, coautor de “Filosofia, Psicanálise & Contemporaneidade (vol. II)”.

‘Matam o pai’

Julio Fachini descreve uma relação peculiar do ato fundador da civilização. Ele trata da cumplicidade dos irmãos de sangue que assassinaram o próprio pai.

Spoiler:

Os irmãos, unidos pelo ódio comum, matam o pai, e celebram o feito com uma refeição, na qual o cadáver do pai é o alimento, devoram-no ‘cru, carne, sangue e ossos’ (FREUD, 2012, p. 214), em um rito canibalístico que sela o espírito de igualdade através da cumplicidade pelo ato.

Julio Fachini, coautor de “Filosofia, Psicanálise & Contemporaneidade (vol. II)”.

FREUD, S. Totem e Tabu (1913). In: FREUD, S. Obras completas, v. 11. São Paulo: Companhia das Letras, 2012. 

‘Humano comum’

Quanto a mim, fui a Freud com novas perguntas sobre o mal-estar vivido na democracia contemporânea, com a generosa orientação de Dr. Francisco Verardi Bocca.

Escrevi coisas que, francamente, devem divertir a maioria de nós.

Spoiler:

Podem ser estranhos os graus de segurança factual nas ciências humanas, porque relativas, incontidas, carentes de pequenos e grandes caminhos escolhidos unicamente por quem escreve. No fim do dia, tem-se um humano comum, que acredita em coisas que até Deus duvida, que pode não estar nem aí para a técnica científica, que dirá para Freud e uma concepção de universo que não considere a necessidade de Nosso Senhor Jesus Cristo para o que é unicamente humano e terreno.

Vinícius Sgarbe, coautor de “Filosofia, Psicanálise & Contemporaneidade (vol. II)”.

Há muito mais autores, que logo chegam. Assim que o livro estiver prontinho para ser lido, criticado, negado, citado, e outras coisas da índole dos livros, eu aviso.

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