Hoje morreu de Covid-19 o número Toni

Há semanas, o governo do Paraná tentou fazer da delegacia de Palmital um amontoado de presos doentes de Covid-19. Foi preciso circular o documento oficial nas redes dos jornalistas para desistirem da ideia fúnebre de condenar um municipio que não tinha nenhum caso de infecção.

Naquela época, um artigo publicado por um pesquisador do Paraná sublinhou que os policiais penais e carcereiros não tinham recebido qualquer treinamento para lidar com a pandemia. Os governos estadual e federal maquiavam dados sobre mortes e SRAG.

Antes do ocultismo, o Paraná era o quarto pior em testagem e, agora, competitivo que é, 5.0 que é, deve ter vencido na morte de quem depende do Estado com caixa alta para ter o direito à vida garantido. O governador anunciou live sertaneja, mas não um plano consistente.

Ratinho Junior foi pescar sem máscara, bater uma bola com os amigos “ideais”. Estudamos no mesmo “Ideal” de São José dos Pinhais, onde os donos de coisas viam os outros como coisas. E dificilmente a gente muda o que é. As falas de Beto Preto não bastam.

Hoje morreu Toni que cuidou por décadas de uma lanchonete na Região Metropolitana. Ontem, morreu Paulo que mexia com carros. Antes morreu o filósofo Cleverson Bastos. A estória que os números são pessoas está virando história. Penso sobre o inverso do novo populismo.

Quando ideólogos e programadores pensaram em um mundo longe de Davos, tinham, não tenho dúvida, a melhor intenção para pavimentar o caminho ao inferno. Que a ingenuidade de nossos rancores contra a Globo, contra o que está aí, não nos cegue nas próximas eleições. Sobrou a fé.

Foto: Toni. Reprodução.

É inútil checar fatos isoladamente

Do livro “Os engenheiros do caos”, de Giuliano Da Empoli – presente de Luca Rischbieter, que me surpreendeu pelo correio – tenho bandagens para o homem invisível em mim que constatava sobre o tiozão do zap: “ele tem motivo que não depende de checagem”.

Sem contar que a partir de um fato corriqueiro e comprovável se pode construir uma fantasia extraordinária que nos coloca à mercê da China, de Bill Gates, quando não dos ETs. E este parágrafo não é hiperbólico. É precisamente o tipo de estória que roda por aí para nos confundir, quando não na política, nas relações pessoais. Quanto não se duvida hoje da inteligência do pessoal por causa de uma Nise Yamaguchi da vida?

Meu hóspede Renato Sgarbe (foto) – também atende por meu pai – topou uma experiência para esta noite. Vamos assistir a telejornais de duas emissoras (cada qual tem uma de preferência, mas que não seja esnobe contar que minha preferência mesmo é por um canal francês que assisto diariamente). E, na medida do que se consegue deixar passar sem ardor de úlcera, vamos analisar domesticamente como nos parece a virilidade intelectual da imprensa.

O ativismo ‘siga meu marido’ tem dias contados

Pensar Curitiba para os próximos anos dói o calo da bunda da alma. O que tem de rica tem de pequena. Não raro meu telefone toca com alguém em dúvida sobre a coragem de algumas mulheres ter-se tornado um tipo agressivo de opinião contra um mundo que não podem ou não querem ver.

Quando a ex-primeira dama do Paraná Fernanda Richa gastou mais em combustível de aeronave que nos cobertores que foi doar no interior, houve quem a defendesse sob “é uma mulher que sai da cama para ajudar os outros”. Se fosse o tipo decente, quem saberia que saiu da cama?

Há uma mobilização poderosa quanto ao papel das mulheres nesta cidade. Das pesquisadoras de poder ao círculo de oração, há pontos de vista refrescados pela inteligência, pelas circunstâncias, e por dados de realidade. Ao que parece, são dessa categoria as feminilidades mais detestadas quer por homens importantes, quer por eternas rainhas de baile.

“O que resta da grande paisagem de pensamentos vividos. Dize, minha alma, senão o vazio?”

— Vinicius de Moraes

Claro que nenhuma Jezabel se faz sem um Acabe. Quer dizer. Uma mulher desfigurada é também fruto do ambiente onde um bunda-mole vive para o nada.

Nesta semana, voltamos a ouvir mulheres que têm algo a dizer, em uma live marcada para terça (14), às 17h.

Ana Paula Bellenzier e Laís Leão são entrevistadas por João Arruda, sem papas na língua. É para dizer com clareza da vergonha que nos traz Damares Alves ou a falta de mulheres nos governos estadual e municipal. Também para fazer contraste com as caridosas mulheres curitibanas que durante a pandemia sugeriram que os trabalhadores são vagabundos, que gays tem muitos direitos e que subiram a bandeira “siga meu marido”.

Foto: Reprodução.

Empresários que lutem

Uma comunicação foi enviada pela Associação Comercial do Paraná ao Ministério Público, pedindo providências em relação à lotação no transporte coletivo de Curitiba e região. Tire a trave dos seus olhos, Associação, antes do cisco do Estado.

Como se não fosse possível resolver entre vocês: empresários que se telefonem. Aliás, os das empresas de ônibus consideram que os passageiros são “jaguaras”. São os mesmo “jaguaras” que trabalham nos shoppings e que, que ironia, fazem compras.

Dez justos; impeçamos Deus

São 51.271 brasileiros mortos, contados até as 15h de terça-feira (23), com dados oficiais. Vai saber quanto a menos ou mais. É como se União da Vitória, no Sudeste do Paraná, passasse a ser uma pilha de cadáveres. Uma cidade inteira. Foi impossível não metaforizar com Vitória, quando parece que estamos no vórtice um ralo para a miséria.

Tenho ficado longe do noticiário o quanto dá. As capas dos sites fazem bem o papel, mas aderir às bandeiras da imprensa é tão ou mais letal que o fazer com os memes e controvérsias políticas em qualquer rede. Uma sensação de fracasso tomará qualquer um que tenha qualquer medida.

Escrevi anteriormente sobre chorar os mortos. Não parece assim. Parece mais uma recusa aos sinais que nos vêm.

Isto me choca e é horror original: 3.076 toneladas de carne humana putrefata infectada por coronavírus. Lá no começo, houve o medo de gente se arrastando na calçada. Hoje, pelo menos dois hospitais de Curitiba – wow, Curitiba! – têm 100% dos leitos de UTI ocupados.

Não tem cair na real. Estamos arremessados na real. Estamos arremessados na fome que chegou às ilhas do Paraná. Tem viúva mãe de pessoa com deficiência com a dispensa vazia. Até os peixes do mar foram embora.

PAI DA FÉ

Quando Deus visitou Abraão, no caminho para acertar as contas com Sodoma, porque “os gritos das vítimas estavam de ensurdecer”, o pai da fé impediu a passagem. Argumentou assim: “Estás falando sério? Estás mesmo planejando eliminar as pessoas boas junto com as más? Se houver dez justos em Sodoma, destruirás mesmo assim?”.

Tentava Abraão proteger o sobrinho Ló, que no fim das contas era um grande amontoado de merda. Mas teve a vida salva porque alguém melhor que ele se responsabilizou. É como cuidar para que um negacionista não seja infectado, eu acho.

Amanhã haverá notícias piores que as de hoje, e não estamos ficando melhores, argumento.

Foto: Vinícius Sgarbe.

Comunidades do litoral do PR recebem comida

Sete comunidades remotas do Litoral do Paraná receberam ao todo cerca de 300 cestas básicas, no último domingo (21). Algumas dessas localidades não eram conhecidas sequer por moradores da Ilha do Mel. A pandemia de Covid-19 isolou ainda mais os moradores.

O última doação de alimentos realizada pelo governo do estado foi em maio, e as dispensas estavam desabastecidas. O custo mensal médio, para sustentar uma família de aproximadamente quatro pessoas nesses lugares, é de R$ 300, relata uma paranaense que vive da pesca.

Ouça a vinheta das Eleições 2020

A vinheta sonora das Eleições 2020 é uma produção nacional, para criar uma identidade de comunicação. No Paraná, é divulgada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Rádios menores e comunitárias receberam o arquivo que pode ser veiculado a partir de agora.

Ouça a vinheta.

A advogada Rubiane Kreuz é coordenadora da comunicação do TRE. Juntou uma equipe bacana de estagiários da PUCPR. Gente qualificada pela jornalista Dra. Suyanne Tolentino de Souza. A lista de distribuição para a imprensa tem sido abastecida com material útil e com periodicidade.

Foto: TRE Paraná/Divulgação.

Analista transacional agora em certificação

Demorei mais tempo para terminar o Ensino Médio, a faculdade, as coisas, em geral, essas coisas são minhas, afinal. Paulo Mendes Campos: “Se tiveres de ir a algum lugar, não te preocupe a vaidade fatigante de ser a primeira a chegar. Se chegares sempre onde quiseres, ganhaste”, recomenda a Maria da Graça.

Hoje, que dia, terminei na hora. De “analista transacional em formação” para “em certificação”. Foram 26 meses de estudos e vivências profundos sobre a “unidade de interação humana”. Quem está por perto – e graças ao Bom Deus há muitas pessoas por perto, como deve ser na vida de quem ama – percebe expressões como “autonomia”, “adulto-adulto”, “estruturação do tempo”. É tudo análise transacional.

Recentemente, no papel de convidado do Grupo de Pesquisa Comunicação Eleitoral da Universidade Federal do Paraná, incluí a teoria em um ensaio sobre análise combinada. O Workshop de Preparação de Conteúdo para Mídias Digitais, desenvolvido por mim, tem sede no que Eric Berne e outros autores deixaram e deixam sobre comunicação. Na minha vida, compreendo os jogos psicológicos e de poder.

A jornada teórica é um deleite intelectual, principalmente para um jornalista tão apegado ao jornalismo como eu. Ideias complexas, que se inter-relacionam com escolas clássicas da psicologia organizacional, ganham nomes simples. “Pai, adulto, criança”. “Jogo do te peguei”. E se vai mexendo no “script de vida”.

Obrigado às inteligentes Michelle Thomé e Maku Almeida pela coordenação inspiradora que exerceram sobre o grupo e sobre o meu desenvolvimento. Obrigado aos colegas de jornada, que muito provavelmente hoje sabem coisas sobre mim que nem eu sei.

Foto: Michelle Thomé opera uma câmera Super 8 que herdou do pai dela e que tornou minha. Vinícius Sgarbe/Arquivo pessoal.

Propina mantém gerências da Petrobras, suspeita PF

Políticos são pagos para manter pessoas em funções estratégicas da Petrobras, como na “Gerência Executiva de Marketing e Comercialização”, informa a Comunicação Social da Polícia Federal em Curitiba.

Segundo a nota oficial. “A suspeita é de que parte dos valores de propina tinham como objetivo o pagamento de intermediários políticos para a manutenção de certos empregados públicos em funções gerenciais estratégicas (…), onde se realizavam as operações de trading”.

Nesta manhã (18), foi deflagrada a Operação Sem Limites II, que é a 71ª fase da Operação Lava Jato. Ela “mira a área de Trading – compra e venda de petróleo, óleos combustíveis e derivados – da Petrobrás”. 

“Cerca de 40 policiais federais cumprem 14 ordens judiciais, sendo 12 mandados de busca e apreensão e 2 ofícios para obtenção de dados telemáticos. Também foram expedidas ordens para bloqueio de valores até o limite dos prejuízos identificados até o momento – cerca de 17 milhões de reais. (…) Os mandados estão sendo cumpridos todos no Estado do Rio de Janeiro”.

Foto: Luiz Souza/NurPhoto/Getty Images.

O que a Prefeitura diz não se escreve

A palavra do secretário de Governo de Curitiba, Luiz Fernando de Souza Jamur, sofreu desvalorização ímpar nesta semana, na avaliação de representantes do setor de academias. Em um vídeo gravado pelo empresário Raphael Bonatto, Jamur declara, em reunião no Centro Cívico na última segunda-feira (15), que as “academias vão sair do Art. 2º do Decreto 774.

Acontece que o secretário mudou de ideia – e não se deixará de anotar que muito provavelmente a conta paga por ele é na verdade do prefeito Rafael Greca – no dia seguinte. Mas o que tinha sido uma agenda oficial veio então em forma de telefonemas exasperados.

“Quando saí da reunião [na segunda], perto das 18h, passei a chamar os 241 funcionários CLT das quatro academias que administro. Meu compromisso era um termo sanitário apropriado, que deveria ter sido disponibilizado na terça. Mas em vez do termo o que vieram foram os telefonemas de Jamur para nos informar que tinham mudado de ideia”, relata Bonatto.

“Como fazemos? Uma hora, suspensão dos contratos. Outra hora, retomada. Depois, muda de novo”, pergunta. Além dos funcionários, há uma rede de pelo menos 600 professores autônomos.

Foto: Raphael Bonatto concede entrevista à rádio Mundo Livre. Facebook.