Oh, Senhor, perdoe-me por questionar-te a ti, e a teu retroprojetor

Testemunho. Eu era do Ministério do Retroprojetor da Igreja. Quando veio o Ministério do Datashow, fiquei um pouco contundido, né. Daí eu peguei, e perguntei para Deus: “Mas, Senhor, o Senhor tinha me prometido, Senhor!”. Sim, era uma pergunta sem ponto de interrogação, porque os mistérios de Deus você não compreende?

Então Deus me respondeu na palavra: “Acaso sois vós que te beneficiares de tal retumbância? Qual é, porém, aquilo que te fazes? Ou a bênção, ou a maldição. E escolhestes a mim, não, porém ficastes com a falta de entendimento?”. Ele me respondeu com uma pergunta, né. E eu respondi: “Agora entendi, Senhor. Perdoe-me! Perdoe-me! Perdoe-me!”.

Ilustrado dos lugares comuns da comunicação social: seu Preto

Queridos colegas apresentadores de TV. Muitos de vocês dizem “seu” Fulano ou “dona” Cicrana, ao chamar seus entrevistados, mas, para quem vê de fora, não parece, nem de muito longe, educação ou respeito.

Os fatos são superiores às ideias. Ainda para o o grupo “muitos de vocês”, seus “muitos de vocês, apropriam-se de histórias que não fazem o menor esforço para entender, e depois mandam um “seu” Preto Com Fome Precisa de Nossa Superioridade.

O que é quiropraxia?

Precisamos ensinar nossas crianças sobre a importância da quiropraxia.

Sobre o lugar apropriado de cada coisa

Quiropraxia é o que segue. O rapaz é carregado por amigos, na rua. O pés arrastam nas pedras e dão a impressão de que a cabeça bebeu demais. Nenhum ineditismo, juventude que perde a consciência em público. Mas, a gente se preocupa.

Olhos virados, pálido, amparado por gente inexperiente. Do meio da multidão, acotovelando com pressa, uma mulher vai na direção deles: “Calma, calma! Eu sou quiroprática!”.

Sgarbe para Ety; Carta um

Querida amiga Ety, escrevo com o coração partido. Há poucas horas, tomei o cuidado de fechar a boca do impulso quando me perguntou: “O que é felicidade?”. Qualquer resposta parece ser, por mera necessidade da linguagem, da palavra, uma tristeza em si mesma e, logo, um tipo de contradição para a pergunta. Gosto da ideia de que príncipes materializados se tornam menos capazes de nos governar – uma ideia roubada da literatura francesa quando se atreveu a classificar os persas. Estamos, nestes dias, com calor fora do corpo.

O copo é um problema para alguns amigos chegados. As bebedeiras sem fim terminam quase que invariavelmente em grosserias semeadas à sorte, e trabalho para quem está em volta – recolher desafetos, cacos e garrafas pela metade. Isso está me consumindo – porque não gostaria de ver gente que se poderia salvar destruindo o próprio corpo e, junto a isso, todas as relações que direta ou indiretamente estão ligadas a tal corpo. Pensei, sobre a autodestruição desses, na expressão “pérfido”, porque preferem derrubarse-se a tão somente deixar-se em pé.

Adeus.

Experiência com bombas: primos aprendem a lidar com fogo e incomodam vizinhos

São José dos Pinhais é uma cidade que me incomoda, e isso não vai mudar. Fui funcionário público concursado lá, por dois anos – parte da grana que pagou a faculdade de jornalismo veio disso.

Mas apesar dos conflitos intelectuais e ideológicos, lá residem eternamente minhas memórias familiares e infantis. Dentre elas, a que tem a ver com bombas.